
O Papa Leão XIV nomeou nesta sexta-feira, 26 de setembro, o arcebispo Filippo Iannone, até então prefeito do Dicastério para os Textos Legislativos, como novo prefeito do Dicastério para os Bispos. A posse será em 15 de outubro de 2025.
Trata-se da primeira nomeação de um chefe de Dicastério no atual pontificado, conferindo ao canonista carmelita a responsabilidade de coordenar um dos organismos mais estratégicos da Cúria Romana: aquele que auxilia o Papa na escolha dos bispos em todo o mundo.
Continuidade no governo da Igreja
Dom Iannone sucede diretamente ao próprio Papa Leão XIV, que esteve à frente do Dicastério para os Bispos entre janeiro de 2023 e maio de 2025, quando foi eleito para a Cátedra de Pedro. O novo prefeito acumulará também a presidência da Pontifícia Comissão para a América Latina.
Na mesma ocasião, o Papa confirmou para mais um quinquênio os atuais colaboradores do Dicastério: Dom Ilson de Jesus Montanari, como secretário, e Mons. Ivan Kovač, como subsecretário.
Perfil de canonista e jurista
Completando 68 anos em dezembro, o arcebispo napolitano Filippo Iannone é religioso carmelita, jurista e especialista em Direito Canônico. Ao longo de sua trajetória, serviu em tribunais eclesiásticos, foi docente em universidades pontifícias e desempenhou papéis de destaque na Diocese de Roma e na Conferência Episcopal Italiana.
Sua atuação inclui cargos como:
- membro do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica;
- consultor da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada;
- vice-gerente da Diocese de Roma, nomeado por Bento XVI;
- secretário adjunto e, posteriormente, presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, nomeado por Francisco em 2018.
À frente do Dicastério para os Textos Legislativos, Dom Iannone conduziu a atualização e aplicação das normas canônicas, sobretudo no campo da responsabilidade disciplinar e da tutela contra os abusos, temas de grande relevância para a Igreja contemporânea.
O delicado serviço de escolher bispos
O papel do prefeito do Dicastério para os Bispos é considerado uma das tarefas mais sensíveis do governo da Igreja: auxiliar o Papa na escolha dos pastores que conduzirão as dioceses ao redor do mundo.
Esse processo envolve discernimento espiritual, análise pastoral e avaliação jurídica, além da escuta das comunidades locais. Embora o Dicastério prepare e estude os nomes, a decisão final sempre pertence ao Romano Pontífice.
Nos últimos anos, o processo de seleção episcopal tem avançado também em termos de participação feminina: em 2022, o Papa Francisco nomeou três mulheres como membros do Dicastério, sinalizando um caminho de maior integração na vida e no governo da Igreja.
Um marco no pontificado de Leão XIV
A nomeação de Dom Iannone representa um marco no início do governo de Leão XIV, não apenas pela continuidade com seu próprio trabalho anterior no mesmo Dicastério, mas também pela escolha de um canonista experiente, capaz de unir rigor jurídico e sensibilidade pastoral.
Com essa decisão, o Papa reforça o compromisso de que a seleção dos bispos seja realizada com atenção à dignidade humana, aos direitos dos fiéis e à missão evangelizadora da Igreja, em sintonia com os temas debatidos no recente XVIII Congresso Internacional de Direito Canônico, realizado no Rio de Janeiro.

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