Bicentenário das relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé é tema de encontro na Gregoriana

O Embaixador Everton Vieira Vargas e a Presidência da CNBB, presentes no evento em Roma.

No contexto das celebrações pelos 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, foi realizado, nesta terça-feira, 20 de janeiro, em Roma, o seminário “Relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé”. O evento ocorreu na Pontifícia Universidade Gregoriana e foi organizado pela Embaixada do Brasil junto à Santa Sé.

O encontro reuniu autoridades eclesiásticas, diplomáticas e acadêmicas, com o objetivo de refletir sobre o percurso histórico e os desdobramentos institucionais dessa relação bilateral, iniciada oficialmente em 23 de janeiro de 1826, poucos anos após a Independência do Brasil.

Um marco histórico para o Brasil e para a Igreja

Durante a abertura do seminário, o embaixador do Brasil junto à Santa Sé, Everton Vieira Vargas, destacou a relevância histórica do reconhecimento da independência brasileira pelo Papa Leão XII, por meio da aceitação das cartas credenciais de monsenhor Francisco Corrêa Vidigal, enviado do Imperador Dom Pedro I.

Segundo o diplomata, esse gesto da Santa Sé teve impacto decisivo para que o Brasil obtivesse, posteriormente, o reconhecimento de outras nações, consolidando sua posição no cenário internacional.

Igreja, missão e formação das fronteiras brasileiras

O presidente da CNBB, cardeal dom Jaime Spengler, ressaltou que a própria configuração territorial do Brasil está profundamente ligada à ação missionária da Igreja. Ao recordar os 400 anos das missões jesuíticas, afirmou que a presença missionária foi determinante na consolidação das fronteiras nacionais, tanto no Sul quanto na região amazônica.

Além disso, dom Jaime recordou os 15 anos do Acordo Brasil–Santa Sé, celebrado em 2010, cujo impacto foi novamente refletido em 2025 durante o Seminário sobre a Laicidade do Estado e a Liberdade Religiosa, promovido pela CNBB.

Presença da CNBB e da diplomacia pontifícia

Participaram das atividades comemorativas os membros da presidência da CNBB:

  • Cardeal Dom Jaime Spengler, presidente;
  • Dom João Justino de Medeiros Silva, primeiro vice-presidente;
  • Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, segundo vice-presidente;
  • Dom Ricardo Hoepers, secretário-geral.

Durante a programação, a presidência da CNBB encontrou-se com o embaixador Everton Vieira Vargas e com o cardeal Lorenzo Baldisseri, que foi Núncio Apostólico no Brasil entre 2002 e 2012 e desempenhou papel relevante no fortalecimento da diplomacia pontifícia, inclusive em etapas relacionadas ao Acordo Brasil–Santa Sé.

Um registro dos participantes no Auditório da Pontifícia Universidade Gregoriana

Programação do bicentenário ao longo de 2026

O Vaticano incluiu oficialmente o Bicentenário das Relações Brasil–Santa Sé, celebrado em 2026, entre as datas comemorativas de destaque em sua programação institucional. As relações, estabelecidas em 1826, figuram entre as mais antigas mantidas pelo Estado brasileiro.

O momento central das celebrações será a missa solene de 23 de janeiro, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, presidida pelo Secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin.

Ao longo do ano, estão previstas diversas iniciativas, entre elas:

  • lançamento de selo postal comemorativo pelo Vaticano;
  • Mostra do Bicentenário de Cinema Brasileiro, em abril, em Roma;
  • seminário sobre o Padre Antônio Vieira, em maio, na Biblioteca Nacional Central de Roma.

No Brasil, as comemorações incluem atividades durante a Assembleia Geral da CNBB, uma Sessão Solene no Congresso Nacional, eventos institucionais em Brasília e uma exposição comemorativa. As iniciativas buscam preservar a memória histórica, expressar gratidão mútua e renovar o compromisso comum entre o Brasil e a Santa Sé, em favor de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.

Fonte: Vatican News


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