
Na Audiência Geral de quarta-feira, 20 de agosto, o Papa Leão XIV lançou um forte apelo aos fiéis, pedindo que toda a Igreja viva o dia 22 de agosto de 2025 em jejum e oração pela paz. A data coincide com a memória litúrgica de Nossa Senhora Rainha, título que recorda a maternidade espiritual de Maria sobre a Igreja e a sua intercessão como Rainha da Paz.
O Santo Padre lembrou os conflitos na Terra Santa, na Ucrânia e em tantas outras regiões do mundo, sublinhando que Maria é invocada como Mãe e Rainha por todos os que acreditam. “Maria, Rainha da Paz, interceda para que os povos encontrem o caminho da paz”, disse o Papa, convidando os católicos a se unirem em penitência e súplica.
O apelo da CNBB: oração, penitência e solidariedade
No Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) acolheu o pedido do Papa. Em carta enviada aos bispos, o presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, convidou as dioceses a promoverem ações concretas de oração, penitência e solidariedade, de modo que o clamor pela paz ecoe em todas as comunidades católicas do país.
Esse gesto não se limita apenas à privação alimentar, mas pode assumir a forma de obras de caridade, iniciativas de solidariedade com os mais pobres e momentos comunitários de oração.
O fundamento no Direito Canônico
O Código de Direito Canônico dedica os cânones 1249 a 1253 ao tema da penitência, oferecendo uma base jurídica e espiritual para compreender o significado deste dia.
- Cân. 1249: recorda que “todos os fiéis, cada um a seu modo, são obrigados a fazer penitência”. Ou seja, trata-se de um chamado universal, que envolve todo o Povo de Deus, em comunhão com Cristo.
- Cân. 1250: estabelece os tempos de penitência na Igreja: todas as sextas-feiras do ano e o tempo da Quaresma. O jejum convocado pelo Papa se insere nesta disciplina eclesial, reforçando a centralidade da conversão contínua.
- Cân. 1251: prevê que a abstinência de carne ou de outro alimento determinado seja observada todas as sextas-feiras, e o jejum seja praticado na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, mas nada impede que a Igreja convoque outros dias de jejum por necessidade particular.
- Cân. 1252: explica quem está obrigado a essas práticas: a abstinência é para os fiéis a partir dos 14 anos; o jejum, para aqueles entre 18 e 59 anos.
- Cân. 1253: confere às Conferências Episcopais a autoridade de substituir ou enriquecer essas práticas penitenciais por outras obras, como a oração e a caridade. É justamente nesse espírito que a CNBB orientou os católicos brasileiros a viverem o jejum de hoje como gesto de solidariedade com os que sofrem a violência da guerra.
O sentido espiritual do jejum
O jejum não é apenas um exercício de privação alimentar. À luz da tradição cristã, trata-se de um ato de conversão e de unidade com Cristo crucificado. Ele nos ajuda a disciplinar o coração, abrir espaço para a graça e fortalecer a solidariedade para com os que sofrem.
Neste dia especial de oração e penitência, o Papa nos lembra que o jejum é também um ato de intercessão: o cristão oferece o sacrifício pessoal como súplica a Deus pelo dom da paz, colocando nas mãos do Senhor a dor dos povos atingidos pelos conflitos armados.
Um chamado à comunhão eclesial
Ao propor este dia de jejum e oração, o Santo Padre nos convida a viver em comunhão com toda a Igreja. Não se trata de uma prática isolada, mas de um gesto comunitário, vivido em unidade com milhões de fiéis ao redor do mundo.
Na perspectiva do Direito Canônico, esse chamado expressa o caráter universal e comunitário da penitência cristã, conforme estabelecido nos cânones. Ao mesmo tempo, dá testemunho da presença da Igreja como mediadora de reconciliação em um mundo marcado pela violência e pela divisão.
Conclusão: viver a penitência como caminho de paz
Neste 22 de agosto, cada fiel é chamado a se unir em jejum, oração e gestos de solidariedade. É a oportunidade de viver concretamente a pertença à Igreja, colocando diante de Deus a súplica por todos os povos feridos pela guerra.
Que Nossa Senhora, Rainha da Paz, interceda para que o clamor da Igreja toque o coração dos homens e abra caminhos de reconciliação e esperança.
Participe deste dia de jejum e oração pela paz. Ofereça sua oração, seu sacrifício ou sua obra de caridade em união com toda a Igreja. Que a Rainha da Paz nos conduza ao verdadeiro caminho da reconciliação.

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